segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Dez passos rápidos para introduzir o pensamento liberal em sua igreja

Não que eles precisem de ajuda. Afinal, isso é sabido até no futebol: destruir é muito mais fácil do que construir. Os pernas de pau estão aí para provar a tese. Mas vamos lá. Para ajudar a destruir a fé na Bíblia e em suas doutrinas essenciais é bem fácil.
  1.  Comece “pianíssimo”. Não vá falando o que você pensa tudo de uma vez. Vá aos poucos. Um dia você coloca em dúvida o livro de Jó, mais tarde você questiona os Evangelhos, depois os escritos de Paulo, depois volta para o livro de Isaías. Devagar. Assim fica mais difícil para alguém perceber.
  2. Seja liso como quiabo. Nunca responda diretamente o que lhe perguntarem. Lembre-se: você acredita em um mundo multicolorido, nada de preto no branco. Pode ser perigoso dizer num debate (principalmente se for público) o que você pensa sobre Deus e a Bíblia.
  3. Diga sempre que crê na Bíblia, mesmo que você já não creia mais. É uma questão de sobrevivência. Se fosse disser abertamente que não aceita mais a Bíblia como a Palavra de Deus, os fundamentalistas vão te cortar e você vai perder a visibilidade.
  4. Use e abuse destas expressões: “reinventar”, “livre pensar”, “teologia fora da caixa”, “diálogo”, “interlocução”, “maniqueísmo”, “manipulação”. Elas não querem dizer nada, nós sabemos disso. Mas dão um Ibope...
  5. Sempre que se referir àqueles que insistem em crer nesse livro retrógrado e atrasado, manipulado pelos interesses dos religiosos, que chamam de Bíblia, não perca a chance de identificá-los com os termos “fundamentalistas”, “evangélicos religiosos”, “fariseus”, “hipócritas institucionais”, “donos da verdade”. Dependendo da situação, use também “os malas”, “os seguidores do fulano de tal”.
  6. Evite a todo custo discutir esses assuntos com quem conhece a Bíblia. Prefira os mais jovens e os que não leem nada. É muito mais fácil convencer essa turma do que se desgastar com os outros e correr o risco de ser desmascarado antes da hora.
  7. Seja conservador no púlpito, mas liberal no cafezinho. Nas conversas particulares, zombe o quanto puder desse pessoal atrasado que ainda acha que se faz teologia com Bíblia. Incentive o pessoal a ler mais filósofos, a estudar em faculdades teológicas mais arejadas, que não tenham esse negócio de “linha teológica” definida.
  8. Se não tiver acesso pessoalmente às igrejas, a Internet está aí para isso. Divulgue os links, faça o pessoal mais descolado ouvir três, quatro mensagens dos profetas liberais todos os dias. É faca quente na manteiga...
  9. Comece logo, antes que os líderes e pastores percebam que a coisa é séria. Por enquanto eles estão achando que é implicância de alguns mais radicais. Quando eles acordarem, o estrago já vai estar feito.
  10. Quando perceber que já há um grupo forte o suficiente para apoiar você e questionar as doutrinas da igreja, aí você já pode se manifestar. Esse pessoal vai defende-lo até à morte e você ainda vai ser visto como um mártir.
Vamos lá! Acenda o pavio, jogue a bomba e fique de fora assistindo o que vai dar. 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

AOS MESTRES, COM CARINHO

Nos cursos de Liderança do Alvo, costumo pedir aos participantes que anotem as três pessoas que mais influenciaram suas vidas. Mais de 90% das respostas incluem pais e professores. É compreensível. Bons professores marcam nossas vidas para sempre.

Foi assim comigo também. A começar por minha mãe, Hacy Senghi Soares, que me alfabetizou em casa, antes dos cinco anos, usando a Bíblia como cartilha. Depois, na escola pública, tive professores espetaculares, como a D. Dolle e o Sr. Argemiro,  no tempo de colégio e a Jeanine, na faculdade. Todos professores de Língua Portuguesa. Não foi à toa que me formei em Letras!

Fui criado em uma igreja cristã, onde professores são sempre bem-vindos. A lista aqui é interminável. Começa na infância, onde novamente tive aulas com minha mãe e depois com D. Marlei Torres, nas manhãs quentes de domingo em Tupi Paulista. Elas incutiram em mim o amor que tenho pelas histórias da Bíblia até hoje.

E aí vem uma lista imensa de grandes mestres da exposição da Bíblia, com quem aprendi tanto. Impossível citar todos. Faço um “top 5” para, através destes, homenagear a todos os professores que me instruíram na Palavra. Começo, com saudade cada dia maior, pelo meu pai, Luiz Soares (que ensinava e vivia com paixão); Richard Jones e Henry King, igualmente saudosos. E os queridos Walter Alexander e Gavin Aitken, dos quais desfruto de abençoadora mentoria até hoje.

Sou profundamente grato a cada um. De alguma forma, vocês me influenciaram e me ajudaram a ser e fazer o que faço hoje. Cada vez que escrevo um texto, ministro uma aula ou compartilho com alguém algo que aprendi, vocês todos fazem parte disso.


Mestres queridos, amo vocês. 

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Visita ao xópin

Não se incomode com a grafia aportuguesada. Estou me referindo aos Shoppings, mas o que importa aqui é o conceito. 

Perambular por xópins e aeroportos é um exercício interessante.  Em ambos a gente pode observar pessoas chiques, ver coisas lindas e caras sem ter que gastar um centavo. A menos que você vá de carro, porque aí terá o custo de estacionamento.

O xópin é o paraíso do anonimato: ninguém sabe nada sobre a vida de ninguém e por isso mesmo todos se tornam iguais. Posso parar demoradamente em frente a vitrines caras, estilo Brooksfields ou Polo Play e comentar com a minha esposa: “Olha que preço ótimo daquele terno, só R$ 1.999,00!, mesmo que eu não tenha a mínima intenção ou condição de pagar nem 10% desse valor. Nada mais barato para lustrar o ego do que observar atentamente as caríssimas jóias da H.Stern, uma vez que ninguém sabe se sou cliente potencial ou não. Para todos os efeitos, eu o sou.
 

Observando atentamente, você acaba descobrindo que há mais gente ali fazendo a mesma coisa. Poucos entre aqueles que transitam pelos corredores iluminados, cheios de ofertas a preços exorbitantes, entram nas lojas e compram alguma besteirinha. Quando acontecesse, saem balançando bem alto as sacolinhas de grife, esbarram em você  
“sem querer" para que você note como podem, como gastam! 

Imagino se muita gente que frequenta igrejas durante o final de semana não pensa que está indo, mesmo, ao xópin. Chega, deixa as crianças com as "monitoras do parquinho" (a classe de Escola Dominical), enquanto aproveita para dar uma passeada, exibir o novo figurino, participar do programa, ouvir um pouco de música, para depois de algum tempo (o mínimo que for possível) pegar as crianças e voltar para casa. Se por acaso sobraram uns trocados no bolso, podem colocá-los na sacola de ofertas, como quem dá aquele “agrado” para guardadores de carro. 

Tal como no xópin, você pode entrar e sair sem levar nada. Pode ser só um passeio mesmo, um passatempo: momento de distrair-se um pouco, ver pessoas, olhar vitrines, mas chegar à porta de saída do mesmíssimo jeito que entrou. Você pode escolher o que mais lhe interessa e até decidir que nada daquilo é para o seu bico. Pode escolher o horário mais conveniente. Tudo muito interiorizado. Ninguém precisa saber quais são as suas reais intenções. Não existe lei que proíba olhar e não levar. Ou ouvir e não escutar. Ou ser ensinado e não aprender.
 

Isso só é possível no contexto da igreja atual porque  inventaram o “foro íntimo”. Ele é conhecido popularmente como o “ninguém-tem-nada-a-ver-com-a-minha-vida”.  É a ideia do "cada um por si e que Deus tenha misericórdia de nós".


Não admira porque os tais frequentadores podem estar ali por décadas, sem passar por nenhum tipo de transformação: é que ao invés de saírem de casa com o coração de adoradores, saem com a mentalidade de consumidores.