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Dia da mentira não
é coisa nova. É tão velha quanto seu pai. Tão suja quanto ele. Mentira
branca, azul, amarela. Mentira comercial, para se dar bem, para as coisas não
ficarem piores. É tudo do mesmo saco. Vem todas do mesmo buraco. Mentir para
os filhos, para o marido, para a professora, para o namorado, para os pais. É
tudo a mesma estratégia, que começou a ser usada pela velha serpente. O
problema é que mentira tem pernas curtas, só que são bem torneadas, não têm
varizes nem celulite. Por isso chama a atenção e muito marmanjo corre atrás
dela babando.
Agora, mentira não é só o ato de mentir. Pode ser um ato de pensar. Pode ser um ato de formar opinião. Só diz mentira quem pensa mentira. E quem pensa mentira, vive mentira. E quando a gente começa a viver uma mentira, acaba acreditando que ela é verdade. Tem mentira política internacional, do tipo "Vamos invadir o Iraque para achar as armas de destruição em massa". Tem mentira eleitoral, do tipo "Vamos criar 10 milhões de empregos em 4 anos". Tem mentira sofisticada, embalada em papel celofane, com lacinho e arranjo de flores. São aquelas que ninguém percebe. Vêm nos filmes de Hollywood, nas entrevistas da televisão, nas aulas da faculdade e até nos livros do ensino fundamental. É mentira moderna, articulada, elaborada nos centros mais cultos e influentes do planeta. Quem nunca ouviu a mentira da evolução, das mutações genéticas ou das "provas científicas"? Tem mentira religiosa, embalada em papel mais sóbrio, cheio de citações bíblicas por dentro e por fora. Mas qual um cavalo de Tróia, quando você chega mais perto, começa a ouvir que um salvo pode deixar de ser salvo, que Jesus Cristo não é Deus, que é preciso guardar o sábado, dar o dízimo e ser batizado para ser salvo, que crente não fica doente nem pode passar dificuldade. Ultimamente voltou à pauta a mentira de que no fim, todos serão salvos. Será que precisamos mesmo de um dia para a mentira? Não seria melhor lançarmos o dia da verdade? Mas este não pega. Não pega porque desde os tempos de Isaías, "a verdade anda tropeçando pelas praças, e a retidão não pode entrar. Sim, a verdade sumiu, e quem se desvia do mal é tratado como presa" (Is 59:14,15). Não é politicamente correto viver, defender e sequer pensar a verdade. Isso é exposição demasiada. Imagine, de quem vamos ser amigos se falarmos em verdade? Que dirá se falarmos em verdade absoluta, num mundo onde tudo é relativo! A verdade sumiu. Sumiu da pauta da televisão, dos noticiários, dos editoriais, das conversas entre amigos, dos livros dos professores, das sentenças dos juízes, das gravações dos procuradores da República, do discurso dos presidentes, da ONU, dos partidos políticos. Sumiu. Sumiu como chapéu velho. Sumiu até de alguns púlpitos, revistas, sites, publicações e programas evangélicos. E aí eu me lembro das palavras revolucionárias de um rabino judeu, há séculos atrás. Ele teve a coragem e a ousadia de falar a verdade. Mais do que isso: ele se declarou a própria personificação da verdade. Ele disse que a única forma de liberdade possível para qualquer sociedade, em qualquer época era a verdade. "Quando vocês conhecerem a verdade, a verdade os tornará livres". E depois, a um grupo restrito de discípulos, ele assume: EU SOU A VERDADE. Que verdade? TODA A VERDADE. Toda a verdade espiritual, moral, cósmica, emocional, existencial. Verdade que quebra grilhões. Verdade que liberta. Verdade que permite que não sejamos mais enganados, nem feitos inocentes úteis nas mãos do pai da mentira. Eu repudio o Dia da Mentira. Já chega. Eu quero cantar a liberdade. Quero declarar minha esperança inabalável num Reino que vai chegar, capitaneado pelo Cavaleiro que se chama Fiel e Verdadeiro,que julga e peleja com justiça. O Dia da Mentira é pura ilusão. O Dia da Verdade vai chegar. Para ficar. |
terça-feira, 1 de abril de 2014
É mentira!
quarta-feira, 19 de março de 2014
Entrevista com o presbítero da igreja de Éfeso
FD: Foi difícil conseguir um espaço na sua agenda.
Muita correria?
"Mr. M": Ah, a gente não tem tempo sobrando mesmo, não. Temos muita coisa pra fazer no ministério, não dá tempo para ficar respondendo carta com pergunta. Temos outras prioridades. Agora, por exemplo, estamos trabalhando na organização do IV Congresso Asiático de Defesa dos Princípios, Sã Doutrina e Identidade. Você sabe, a gente não pode deixar a peteca cair. Estamos muito, muito ocupados. Não paramos um minuto.
FD: O sr. mencionou prioridades. Qual é a maior
preocupação do presbitério de Éfeso hoje em dia?
"Mr. M": Olha, veja o que aconteceu com a igreja em Corinto. Aquilo tá uma bagunça. Todo mundo falando em língua, muita música, som alto demais. Nós não podemos deixar que isso aconteça aqui. Precisamos zelar para que os nossos princípios permaneçam. Nós começamos a usar salmos, hinos e cânticos espirituais. Mas tudo tinha rima, métrica, direitinho. Agora tem essas músicas modernas aí. O som é muito alto. Precisamos tomar providências porque senão vamos perder nossa simplicidade.
FD: Por que o sr. acha que a igreja de Éfeso parou
de crescer? Este não é sintoma de que a igreja não vai bem?
"Mr. M": Deus não está preocupado com números. O que importa é a qualidade, não a quantidade. Essas igrejas que estão crescendo é porque não estão pregando o evangelho puro. Números são enganosos. A gente não pode se basear neles para dizer se uma igreja é boa ou não. Depois, hoje em dia tem essa idolatria aí, o pessoal marca programação do templo de Diana bem na hora da nossa reunião, só para não deixar as pessoas freqüentarem a nossa igreja. É muito difícil com essa concorrência. Ninguém quer saber mais do evangelho puro.
FD: Mas no tempo de Paulo também não tinha essa
oposição?
"Mr. M": Tinha, mas era diferente. FD: O que era diferente? "Mr. M": Era diferente. FD: Mas qual era a diferença? "Mr. M": Diferente, rapaz, diferente. Você não sabe o que é uma coisa diferente? Era diferente.
FD: A que o sr. atribui o atual declínio da igreja
em Éfeso?
"Mr. M": Que declínio? A gente tem um monte de coisas boas aqui. Você é que parece que não se contenta com nada! Nós temos suportado provas aqui, temos resistido a homens maus e não desistimos facilmente. Faz muito tempo que estamos aqui. Nós não chegamos ontem. Não podemos jogar no lixo tudo o que nossos pais fizeram.
FD: Desculpe, acho que o sr. não entendeu minha
pergunta. Eu não disse nada sobre o que os nossos pais fizeram. Estou
perguntando sobre o que vocês estão fazendo. O que o sr. tem a dizer da
situação atual?
"Mr. M": Irmão, quem é que não tem problemas? Não existe igreja perfeita! Olha o que está acontecendo com Laodicéia, com Esmirna, com Tiatira. Todo mundo está enfrentando problemas. O que importa é continuar perseverante.
FD: Mesmo que não esteja dando certo?
"Mr. M": Não está dando certo por que? Para mim, está ótimo. A gente tem as reuniões, estudo biblico, oração, tudo o que qualquer igreja tem.
FD: Então, na sua opinião, não há problemas?
"Mr. M": Agora quem não me ouviu foi você! Eu já falei que todos nós temos problemas. Você já visitou a igreja de Sardes? Tem gente que é membro lá que pertence à sinagoga de Satanás. Você acha que isso é pouca coisa? E em Tiatira, então? Aquela Jeza que eles têm lá. Aqui pelo menos nós não temos nenhuma Jeza.
FD: É que a entrevista de hoje não é com Sardes,
nem com Tiatira, é com Éfeso...
"Mr. M": Pois é, mas isso mostra que tem gente pior do que nós. Tem gente muito pior do que nós. Pelo menos aqui nóis tem "dutrina" (sic).
FD: Como vocês reagiram à carta que Jesus mandou
para vocês, onde há ameaça até de fechamento da igreja?
"Mr. M": É... bom... (meio sem graça). Bom, eu não li a carta inteira ainda. Estamos esperando marcar uma reunião com todos os presbíteros, mas está difícil, porque todo mundo trabalha e não estamos conseguindo um horário que dê pra todo mundo estar presente. Mas me pareceu uma carta muito agressiva. Pode ser que ele não tenha tentado dizer isso.
FD: Pelo jeito vocês já leram a carta de Sardes,
Tiatira e Laodicéia, não é?
"Mr. M": Não, não. Você sabe como são essas coisas. As notícias correm. A gente é de certa maneira uma referência para as igrejas. A nossa igreja foi fundada por Apolo, depois Paulo esteve aqui. Aliás, no tempo de Paulo é que era bom. Mas, enfim, as pessoas acabam procurando a gente para saber a nossa opinião sobre as coisas. Não tem como evitar isso.
FD: Aí vocês conseguem tempo?
"Mr. M" (vermelho, irritado): Você está insinuando alguma coisa, meu jovem? A gente ficou sabendo porque nos contaram. Eu não fui atrás de nada. Me contaram. Me contaram.
FD: Seriam bem-vindas mudanças neste momento?
"Mr. M": Não tem nada para mudar. Nós sempre fizemos assim. Pedir para mudar depois que a gente se acostumou com este esquema é pedir demais. Tem coisas que algumas igrejas fazem que não é do nosso costume. Ah! No tempo de Paulo... Hoje em dia ficam aí toda hora pedindo mudança, mudança. Precisamos manter as tradições.
FD: Mas parece que a carta que Cristo enviou a
vocês exige mudanças.
"Mr. M": Eu já lhe disse que não tivemos tempo ainda de analisar esta tal carta. Vamos ver isso com calma. É preciso dar tempo ao tempo. Tem várias maneiras de se derrubar uma árvore. Podemos cortar de uma vez e podemos ir cortando galho por galho. A gente não pode ser radical. Tem muitas famílias na igreja que vêm desde o tempo de Paulo. Não podemos assustar essas pessoas.
FD: O sr. parece respeitar muito o que Paulo disse.
Ele não deixou avisado que havia o risco de lobos entrarem na igreja? Como
vocês permitiram isso, se conheciam tanto os ensinos de Paulo?
"Mr. M": Não era de nós que Paulo estava falando. Aqui tem gente de personalidade forte, mas lobo não! Não conheço nenhum lobo aqui. Somos todos apenas humildes servos do Senhor.
FD: O sr. acredita que se Paulo estivesse vivo
hoje, ele ficaria contente com a situação da sua igreja?
"Mr. M": Tenho certeza! Você acha que ele ia querer ser de outra igreja? No meio desta confusão que as igrejas vivem hoje, só nós defendemos a verdade. Paulo nunca ia querer ser membro de outro grupo. |
O presbítero "entrevistado" é fictício, mas as respostas a
estas perguntas foram ouvidas por este repórter ao longo da vida, em algum
momento, em vários locais e situações diferentes. O resultado dessas respostas
em Éfeso foi uma igreja sepultada pela história. Hoje, na região onde estava a
igreja de Éfeso (a atual Turquia), tem menos cristãos que qualquer igreja de
qualquer leitor que esteja lendo esta coluna.
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
Um Deus inconveniente
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O homem se torna idólatra quando
tenta moldar um deus à sua imagem e semelhança. A intenção é sacudir de sobre
os ombros qualquer tipo de submissão a uma vontade divina, de um Deus de
verdade. Fabricando um deus de acordo com a sua vontade, o homem tenta virar sua
própria divindade.
Na forma mais rudimentar de idolatria,
o sujeito pega um pedaço de madeira, dá a forma que lhe interessa e diz “você é o meu deus”. Ou então, na versão
mais cara-de-pau, pode dar a explicação mais esdrúxula de toda a Bíblia: “Eu peguei os brincos e braceletes do povo,
joguei aí no tacho e... bingo! Saiu esse bezerro não sei como...” (Arão
Óleo-de-Peroba, irmão de Moisés).
Mas na expressão mais sofisticada,
fala-se em liberdade total. Você é a sua lei. Faça o que o seu coração mandar.
Ninguém pode lhe dizer que algo é certo ou errado, que pode ou que não pode, que
é pecado ou não. Essas coisas são tidas como “imposições da religião”, dogmas
pautados nos interesses sociais ou econômicos dos grupos dominantes.
E uma vez que não existe pecado que
não seja gostoso de cometer (se fosse ruim, quem pecaria?) o Deus da Bíblia
acaba se tornando um grande estraga-prazeres, que proíbe tudo o que as pessoas
querem fazer livremente. Não, um Deus assim não interessa, definitivamente.
Antigamente, esse Deus era
inconveniente para quem não o conhecia. Agora, está ficando assim até para quem
afirma conhecê-lo. Até por quem prega em nome dele. Falam de uma graça barata,
que não educa para que “renegadas a
impiedade e as paixões mundanas, vivamos no presente século sensata, justa e
piedosamente”, conforme Tito 2:12. Mas esse versículo não é politicamente
correto. Não é um versículo “firmeza”. Não é legal. Não é amigável nem
acolhedor.
A gente quer um “Deus de toda graça”, que nos aceita como somos e deixa
a gente ficar como está. A gente prefere dizer que “não sabe porque” não se
pode permitir que os que seguem a Jesus continuem vivendo sua velha vida sem
ser incomodados. O último que ouvi falar sobre isso, disse que “por ele” (o
pastor da igreja) estava tudo liberado. Só não aceitava as pessoas sem mudar de
vida porque a comunidade dele ainda não tinha uma “visão alargada” sobre a
vida.
O problema é que Deus não se deixa dominar nem controlar. O Deus da
Bíblia é indomável. Ninguém lhe diz o que fazer. Então, por mais que se tente,
a idolatria da mais simples à mais sofisticada é uma enorme bobagem. Não dá
para reduzi-lo a uma peça de louça nem a um conceito.
Se esta verdade lhe soa inconveniente, é melhor você mudar de ideia.
Porque mudar de Deus vai jogar você no colo de um ídolo qualquer.
Marcos Senghi Soares
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