segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Cânticos da Caverna parte 1 (Salmo 59): Encurralado















A vida de Davi pós-Golias foi cheia de aventuras desagradáveis. Nada era fácil para Davi que, de verdade, nunca tinha pedido aquela vida. Ele estava tranquilo no campo, cuidando das ovelhas de seu pai, tocando harpa e compondo suas canções.

De repente, ele é ungido por Samuel; daqui a pouco vira herói de guerra, é convidado para trabalhar no palácio e da noite para o dia vira o comandante do exército do seu país. O que tinha tudo para ser um roteiro perfeito para o estrelato, a fama e o sossego, acabou jogando o ex-pastorzinho no olho de um furacão terrível, chamado Saul. Sua vida nunca mais seria a mesma. É verdade, ele seria o melhor rei da história de Israel. Mas antes disso, mais de uma década de espera, regada a muito sofrimento.

Sua atitude diante das adversidades, registrada nos salmos que ele continuou compondo nessa época, é digna de nota. Aprendemos lições preciosas sobre como reagir às coisas desagradáveis que a vida nos reserva, lendo os hinos que ele escreveu durante o período.

Comecemos pelo Salmo 59, que escreveu quando Saul cercou a casa onde estava para o matar (I Samuel 19:11-17).

Por ter se tornando o comandante do exército de Saul, Davi era responsável pelas incursões militares contra os filisteus (I Sm 18:5-6). Seu sucesso foi tão grande que ele caiu nas graças do povo. Já rejeitado por Deus e consciente de que o reino não seria da sua família, Saul começa a se preocupar com uma única coisa em sua vida: matar Davi. Seus planos começam com o envio de soldados para cercar a casa onde seu genro morava com Mical. Ela o ajuda a fugir e o ajudou a ganhar tempo, inventando uma história de que ele estava doente. Nesse dia ele escreveu o salmo em questão. Leia-o na íntegra para que os comentários façam mais sentido.

Davi, embora ainda jovem, já era um guerreiro valente. Mas não é nisso que ele confia quando acorda com a notícia de que a casa estava cercada. A primeira estrofe do seu cântico é uma declaração de fé no livramento de Deus (v.1-3). Diante das adversidades, muitas vezes a gente quer lutar sozinho, confiar em nossas habilidades, treinamento e conhecimento. Não é bom negócio. Deus sempre será a melhor opção de companhia.

Ele estava sendo acusado, injustamente, de ser um traidor de Saul. É incrível como a língua pode destruir a reputação até mesmo de um extra-série como Davi (v.4-7). A calúnia e a maledicência são a arma dos invejosos. Não podendo chegar no nível do seu sucessor, Saul utiliza de todos os recursos para desqualificar seu adversário. Se você já passou pela desagradável experiência de ser caluniado, você sabe bem o que Davi estava sentindo.

Não apenas isso. Sua vida estava em perigo. A guarda de Saul não estava fazendo sua proteção pessoal: estava pronta para mata-lo. Sentindo-se acuado (v.6, 14-15), ele descreve o cerco à sua casa como alguém rodeado por uma matilha faminta. A violência, a ameaça e a intimidação são o recurso daqueles que não têm argumentos.

Diante de tudo isso, embora indignado com a injustiça da situação, ele entrega a vingança de seus inimigos ao Senhor (v.10-13). Não vai tirar satisfações. Não vai à forra. Seu rei estava sendo desleal, o grupo que o apoiava também, mas ele não se vingaria.

Para surpresa geral (de quem não o conhece bem), Davi afirma não apenas seu desejo de cantar, mas ao afirmar “pela manhã louvarei com alegria” ele expressa a certeza de que estaria vivo no dia seguinte, não obstante a casa onde dormia estar cercada de homens enviados para matá-lo. Isso é o que se pode chamar de confiança!

Atitude notável em circunstâncias tão complicadas. Esta postura será, inclusive, marcante em todos os salmos que analisaremos. Ele ainda não está em uma caverna física neste capítulo, mas aqui inicia uma fuga que levará anos. Será separado da esposa (que será dada a outro homem por Saul), nunca mais vai voltar para casa e vai viver como um foragido por muito tempo. Motivos mais do que justificáveis para alguém passar um bom tempo se lamentando.


Não para Davi. Quando o fogo da adversidade começa a queimar, ele escolhe cantar e renovar sua fé em Deus. 

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Cânticos da Caverna


Os capítulos 19 a 24 de I Samuel estão entre os mais difíceis da vida de Davi. Eles narram os momentos mais agudos da perseguição injusta que ele, já ungido o novo rei de Israel, sofreu por parte de Saul.

Nesses dias, que se prolongaram por meses e acabaram se tornando anos, este poeta bíblico escreveu pelo menos 8 salmos. Boa parte, senão todos, foram compostos enquanto ele se refugiava nas cavernas de Adulão (I Samuel 22:1) e de En-Gedi (I Samuel 24:3).

Eram momentos complicadíssimos. Ele não estava em uma casa de campo ou nas montanhas de Campos de Jordão, com um violão de primeira linha, café da manhã na cama e sauna à tarde para relaxar. Sua situação era apertada, sua vida corria risco constante.

Porém, os salmos que escreveu nesta época são plenos de confiança, louvor e esperança. Convido você para ouvir estas canções com interesse. Mas antes, quero incentivá-lo a conhecer o contexto histórico em que foram escritos.

Você vai descobrir como estava o coração de Davi e como ele reagia diante das circunstâncias.

São os Cânticos da Caverna, cujas notas ecoaram através dos séculos, preservadas como foram pela soberana vontade de Deus. Eles chegaram até nós com autoridade de Escritura Sagrada e vão inspirar nossas vidas enquanto trilhamos caminhos difíceis, às vezes injustos, pelos quais a vida nos leva.

Acompanhe aqui esta série de reflexões.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

GIL GOMES QUEM LHES DIZ...


Você se lembra do famoso repórter policial e apresentador de rádio e TV Gil Gomes? Ele anda sumido da mídia, mas hoje foi entrevistado por um programa de TV. Sua voz e impostação diferentes sempre foram uma marca registrada. Sua maneira de contar histórias era envolvente. Seu estilo era inconfundível. Bem, nem tão  inconfundível assim. 

Eu me lembrei de outra que concedeu no auge da carreira. Contou histórias, curiosidades da profissão, detalhes da vida pessoal. Lá pelas tantas, perguntado sobre como se sentia com tanta gente a imitá-lo nos programas de humor, ele revelou uma situação inusitada. Disse que certa vez uma rádio de São Paulo promoveu um concurso para ver quem imitava melhor o Gil Gomes. Ele achou a proposta engraçada, gravou uma fita de si mesmo e mandou para o programa. Só mesmo com ele. Adivinha o que aconteceu? Pegou o terceiro lugar! Os examinadores acharam que o Gil Gomes imitado era mais parecido do que o Gil Gomes real. Houve duas imitações que foram consideradas mais originais do que o próprio original!

Interessante isso. Veja como é fácil a gente se enganar. Como é fácil comprar "gato" por "lebre". Sem uma avaliação mais criteriosa das situações, estamos sujeitos muitas vezes a comprar informações, conceitos e valores que parecem originais, mas não passam de uma fraude. Por isso é bom tomar muito cuidado com tudo o que a gente vê, ouve e lê. Cada dia que passa recebemos mais e mais informações e grande parte delas são geradas para confundir e atrapalhar a vida. Com a blogosfera a todo vapor, cada um pode escrever o que quiser, e tudo vira "verdade". Até gente que não lê e não acredita na Bíblia se mete a falar de teologia. Imitam bem, falam fluentemente, como se fossem verdadeiros. Mas são uma fraude. Verdadeiras fitas gravadas para um programa de imitações. 

Então, verifique bem a fonte onde você anda bebendo. Porque tentar aprender teologia com gente do tipo de Jung Mo Sung é o mesmo que tentar aprender inglês com o Joel Santana.