quinta-feira, 9 de maio de 2013

Repensar a vida?


Na semana passada passei por um daqueles sustos a que estão sujeitos todos aqueles que, por um motivo ou por outro, precisam viajar bastante. Uma decolagem abortada no fim da pista de Viracopos quase levou 200 pessoas para a eternidade, entre as quais estava eu. Alguns entraram em pânico, foi um susto geral.

Por isso tudo, acabei perdendo a conexão que me levaria ao destino e voltei para casa. Feliz por estar vivo, mas frustrado por não ter conseguido cumprir o compromisso agendado há meses com o pessoal de Rondônia.

Duas lições me vieram à mente. Compartilho com meus leitores, porque poderão ajudá-los a refletir, como eu, sobre questões importantes da vida. A primeira é que, simplesmente, não temos controle de nada nessa vida. A gente acha, ingênua ou vaidosamente, que cuidamos na nossa agenda, dos nossos compromissos, do nosso planejamento. Quando percebi que iria “furar” com mais de 60 líderes de todo o estado que estavam se dirigindo para Jaru/RO, lembrei-me do texto de Tiago 4:13-15:

Ouçam agora, vocês que dizem: "Hoje ou amanhã iremos para esta ou aquela cidade, passaremos um ano ali, faremos negócios e ganharemos dinheiro". Vocês nem sabem o que lhes acontecerá amanhã! Que é a sua vida? Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa. Ao invés disso, deveriam dizer: "Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo".
Não é porque você está fazendo a obra de Deus que você pode achar que está no controle de alguma coisa. Uma simples neblina (que no meu caso foi literal) pode afetar toda uma programação. Não somos capazes de controlar o tempo, nem o tráfego aéreo, nem o que vai acontecer amanhã. Para dizer a verdade, de uma forma bastante humana, a gente não é capaz de controlar nem o próprio intestino! Se ele resolver funcionar em momento inconveniente, estamos roubados! Nossa vida está nas mãos de Deus. Não nas nossas próprias. Ainda bem.

A lição até aqui já seria suficiente para me envergonhar bastante. Mas quando abri a Bíblia para ler o texto in loco, levei um susto. Veja bem o que diz o versículo seguinte, a respeito dessa idéia tosca de achar que controlamos alguma coisa na vida:

“Agora, porém, vocês se vangloriam das suas pretensões. Toda vanglória como essa é maligna”.
Só isso ou quer mais? Quem acha que controla a vida está agindo com pretensão maligna. Só me restou pedir perdão por agir assim.

A outra lição veio quando uma amiga me perguntou se eu tinha “repensado a vida” durante aqueles segundos e se eu iria mudar alguma coisa em função da experiência. Fiquei surpreso com a minha própria resposta, mas passados alguns dias do ocorrido, creio que respondi o que realmente penso. E a resposta é “não”. Talvez pela primeira vez na curta soma dos meus dias eu pude dizer que, caso tivesse partido para a eternidade, teria seguido feliz por estar fazendo exatamente aquilo que gostaria de fazer até o fim da minha vida: treinar líderes para o Reino de Deus.

Não tenho medo da morte, embora queira ficar vivo o maior tempo que me for concedido. Acima de tudo, tenho medo de viver fazendo aquilo que não seja o propósito de Deus para mim. A vida frustrada é o jeito mais trágico de morrer.

Sou grato a Deus por ter-me dado a nova oportunidade de encontrar Sua vontade e por me dar a cada dia a graça de poder cumpri-la, apesar de mim e todas as minhas falhas e limitações.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

É mentira!

Hoje é dia 1º de abril, dia dos tolos, dia da mentira, dia de pregar peças. Dia da mentira não é coisa nova. É tão velha quanto seu pai. Tão suja quanto ele. Mentira branca, azul, amarela. Mentira comercial, para se dar bem, para as coisas não ficarem piores. É tudo do mesmo saco. Vem todas do mesmo buraco. Mentir para os filhos, para o marido, para a professora, para o namorado, para os pais. É tudo a mesma estratégia, que começou a ser usada pela velha serpente. O problema é que, embora a mentira tenha pernas curtas, elas são bem torneadas, não têm varizes nem celulite. Por isso chamam atenção e muito marmanjo corre atrás dela babando. 

Agora, mentira não é só o ato de faltar com a verdade. Pode ser um ato de pensar. Pode ser um ato de formar opinião. Só diz mentira quem pensa mentira. E quem diz mentira, vive mentira. E quando a gente começa a viver uma mentira, acaba acreditando que ela é verdade. 

Tem mentira sofisticada, embalada em papel celofane, com lacinho e arranjo de flores. São aquelas que ninguém percebe. Vêm nos filmes de Hollywood, nas entrevistas da televisão, nas aulas da faculdade e até nos livros do ensino fundamental. É mentira moderna, articulada, elaborada nos centros mais cultos e influentes do planeta. Quem nunca ouviu a mentira da evolução, das mutações genéticas ou das "provas científicas"? 

Tem mentira religiosa, embalada em papel mais sóbrio, cheio de citações bíblicas por dentro e por fora. Mas qual um cavalo de Troia, quando você chega mais perto, começa a ouvir que um salvo pode deixar de ser salvo, que Jesus Cristo não é Deus, que crente não fica doente nem pode passar dificuldade, que o inferno até existe, mas está vazio que a Bíblia não é confiável  e por aí vai.

Tem a mentira moral, mais assanhadinha. Ela diz que seu corpo é seu e você faz dele o que quiser; que dois homens ou duas mulheres formam uma família. Que sexo só dentro do casamento é impossível. 

Afinal, será que precisamos mesmo de um dia para a mentira? Não seria melhor lançarmos o dia da verdade? Mas este não pega. Não pega porque desde os tempos de Isaías, "a verdade anda tropeçando pelas praças, e a retidão não pode entrar. Sim, a verdade sumiu, e quem se desvia do mal é tratado como presa" (Is 59:14,15). Não é politicamente correto viver, defender e sequer pensar a verdade. Isso é exposição demasiada. Imagine, de quem vamos ser amigos se falarmos em verdade? Que dirá se falarmos em verdade absoluta, num mundo onde tudo é relativo! 

A verdade sumiu. Sumiu da pauta da televisão, dos noticiários, dos editoriais, das conversas entre amigos, dos livros dos professores, das sentenças dos juízes, das gravações dos procuradores da República, do discurso dos presidentes, da ONU, dos partidos políticos. Sumiu. Sumiu como chapéu velho. Sumiu até de alguns púlpitos, revistas, sites, publicações e programas evangélicos. 
E aí eu me lembro das palavras revolucionárias de um rabino judeu, há séculos atrás. Ele teve a coragem e a ousadia de falar a verdade. Mais do que isso: ele se declarou a própria personificação da verdade. Ele disse que a única forma de liberdade possível para qualquer sociedade, em qualquer época era a verdade. "Quando vocês conhecerem a verdade, a verdade os tornará livres". E depois, a um grupo restrito de discípulos, Jesus Cristo assume: EU SOU A VERDADE (João 14:6). 

Que verdade? TODA A VERDADE. Toda a verdade espiritual, moral, cósmica, emocional, existencial. Verdade que quebra grilhões. Verdade que liberta. Verdade que permite que não sejamos mais enganados, nem feitos inocentes úteis nas mãos do pai da mentira. 

Eu repudio o Dia da Mentira. Já chega. Prefiro celebrar a verdade.Prefiro declarar minha esperança inabalável num Reino que vai chegar, capitaneado pelo Cavaleiro que se chama Fiel e Verdadeiro,que julga e peleja com justiça. 

O Dia da Mentira é pura ilusão. O Dia da Verdade vai chegar. 

Para ficar.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Um Evangelho sem IBOPE


Creio em um Evangelho que não dá IBOPE. Ele não é exatamente “palatável”. Ele não atrai multidões, não torna as pessoas famosas. Creio em notícias que confrontam a sensibilidade do homem pós-moderno. São verdades absolutas e inquestionáveis e só por isso já fazem as pessoas torcerem o nariz (inclusive alguns “pastores”, “teólogos” e blogueiros).

Digo isso porque, para início de conversa, creio que a Bíblia é a Palavra inspirada de Deus. Não aceito o blá-blá-blá liberal que questiona sua autoridade textual. Então, só creio no Evangelho da Bíblia.

Em razão disso, creio no julgamento final de todos os homens. Salvos que comparecerão diante do Tribunal de Cristo (II Coríntios 5:10) e perdidos que comparecerão diante do Grande Trono Branco (Apocalipse 20:11-15). Os salvos serão condecorados (ou não) de acordo com suas obras, e os perdidos receberão o castigo também de acordo com elas. Não serão salvos ou perdidos por causa das obras, mas por terem crido ou não no Salvador (II Tessalonicenses 2:10-12).

Creio também, pelas mesmas razões, em Céu e Inferno. Creio porque Jesus Cristo falou nisso com todas as letras (Lucas 16:20-31) e ainda alertou para temermos a Deus, que além de tirar a vida pode nos lançar no inferno (Lucas 12:5). Por crer nisso, acho ridículas as tentativas de ressuscitar as heresias estúpidas e antigas como o Universalismo (aqueles que dizem que o inferno até existe, mas está vazio, porque Deus, num último ato de graça, vai salvar a todo mundo) ou no Aniquilacionismo (aqueles que dizem que os perdidos simplesmente deixarão de existir).

Creio na realidade do pecado. Tanto no pecado original, nossa natureza pecaminosa (Romanos 5:12) como nos atos de desobediência diários que os seres humanos cometem contra Deus (I João 1:10). Sendo assim, creio que há, sim, certo e errado, sendo os critérios para isso definidos por Deus em Sua Palavra.

Creio no amor incondicional de Deus. Ele não nos ama, como tentam defender alguns filósofos da “Teologia da Libertação Gospel” (a famigerada “Missão Integral”) apenas porque quer ser amado por nós. Até porque isso tornaria o amor de Deus uma moeda de troca interesseira. Ele ama até mesmo àqueles que o rejeitam (Oséias 11:1-4)

Mas, felizmente, creio em um Evangelho que dá esperança e oferece a certeza da vida eterna. Não por obras de justiça que alguém possa fazer, mas por seu amor e graça (Tito 3:4-7) o Evangelho oferece aos que creem (e somente aos que creem) a libertação da pena, do poder e, no futuro, até mesmo da presença do pecado e todas as suas consequências. Já fui chamado (por gente crente, ou supostamente crente) de fundamentalista, de atrasado, de retrógrado, de medroso entre outros "elogios", por não aceitar questionar o que a Bíblia diz e o que a Igreja sempre aceitou como verdade em 20 séculos de História. Mas a cada dia estou mais convicto de não há outro que tenha as palavras de vida eterna (João 6:68).

Ao olhar a tristeza e o desespero angustiado daqueles (inclusive amigos meus) que enveredaram pelos tortuosos caminhos da teologia liberal, ou mesmo dos que flertam com ela, por acharem que estão descobrindo uma grande novidade, tenho ainda mais certeza de que a Bíblia é a verdade. Única, absoluta, insofismável, eterna Verdade.

Então, podem me chamar do que quiserem.  A mim, não me importa ser famoso ou aplaudido. Basta-me, com sobras, estar salvo para sempre.