sábado, 2 de março de 2013

Luiz Soares, 10 anos.


Dia 3 de março. Faz 10 anos que meu pai, Luiz Soares, nos deixou. Como o tempo passou depressa! A saudade é uma coisa que não acaba, só faz aumentar. É impossível nos acostumarmos. 
Sentimos muito mais falta dele hoje do que antes.

Viajando por este querido Brasil, ainda hoje encontro pessoas que se emocionam ao saber que sou seu filho. Eles contam a influência e o impacto que a vida dele causou por ele passava. Ouço testemunhos de conversas encorajadoras, de “broncas” que deram resultado, de mensagens inspiradoras que ouviram. . De ligações telefônicas que ele fez a muita gente que passava por momentos de dor ou confusão.  Perdi a conta de quantas pessoas me contaram que se converteram ao ouvi-lo pregar. Sim, claro: Deus é quem faz a obra e recebe a glória. Ele foi apenas um instrumento. Mas que instrumento afiado!

O engraçado é que muitos esperavam que eu fosse como ele. Mas como? O homem compunha, escrevia, falava seis ou sete idiomas, corrigia teses de mestrado (embora ele mesmo não tivesse ido além do grupo primário), cantava, pregava ensinando ou evangelizando, era um pastor, conselheiro e líder.  É demais para mim; já me contentaria em seguir seu exemplo e sua referência de caráter, de homem coerente com suas ideias e princípios. Como eu disse outra ocasião, você podia até discordar do que ele pensava, mas sabia exatamente o que ele pensava. Ele não tinha um discurso adaptável a cada congregação ou público. Eu presenciei ocasiões em que o tentaram manipular com um talão de cheques. Sua resposta foi tão desconcertante que deu até dó...

Sei que ele não foi um homem perfeito, como nós todos não somos. O bom é que não é preciso ser perfeito para ser um modelo digno de ser imitado. Aqueles que o conheceram bem (não apenas de cima de um púlpito, mas no dia-a-dia) sabem do que estou falando.

Sei que no paraíso não há choro; não sei se há risadas. Se houver, quase posso ouvir as gargalhadas do meu pai – sua marca registrada – conversando com tantos de seus amigos e amigas que já partiram para a eternidade. Imagine a festa que fazem por lá! Será que vão pedir para eles rirem mais baixo??

Acima de tudo, posso imaginar com que paixão e encanto ele conversa com o Salvador e Senhor a quem ele amou e serviu tão intensamente. Nada neste mundo fazia o coração do meu pai bater tão forte quanto conhecer melhor a Cristo, a quem escreveu versos e canções, livros e mensagens e a quem dedicou toda sua vida.

Tive o privilégio de ter um grande pai. Louvo a Deus por sua vida.  Como um daqueles que completaram vitoriosos a carreira da fé, Luiz Soares “depois de morto, ainda fala”.

A Deus toda a glória!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Hino ou Cântico?


Um dia desses topei com um texto falando sobre a eterna briga entre o velho e o novo no que diz respeito ao louvor congregacional. 

Achei que o autor tinha captado exatamente o ponto: é tudo uma questão de gosto, apesar de que também há certas coisas que não são fáceis de engolir de parte a parte.

Era impossível traduzir a ideia original literalmente, então fiz uma adaptação que mantivesse o “espírito da coisa”. É mais ou menos assim:

Um senhor viajava a negócios sozinho e foi parar em uma igreja em uma grande cidade. Ao chegar em casa, sua esposa lhe perguntou como tinha sido. Ele disse: “Foi quase igual à nossa igreja, mas eles cantavam música “contemporânea”, como eles chamavam”.

“Música contemporânea?” perguntou a mulher. “Como assim?”

“Ah, é um tipo de hino, mas um pouquinho diferente”, disse o senhor.

“Mas, qual a diferença?”

“Bom, é mais ou menos assim: se eles fossem cantar ‘Batatinha quando nasce esparrama pelo chão’, seria um hino. Agora, se fosse...

Batata, batata, batata, batatinha, batatinha, batatinha
Batatinha ô ô ô ô ô ô  Batatinha ô ô ô ô ô ô
Quando quando nasce, quando quando nasce, nasce e nasce
Esparrama, esparrama pelo chão, pelo chão, pelo chão, e chão e chão.
E o nenenzinho põe, põe, põe, põe, põe, põe, põe,
A mão, a mãozinha, a mão santa, a mão bela, a mão, a mão, a mão
No coração (18 x)...
...aí já seria um ‘cântico contemporâneo’, entendeu?”

Na outra semana, um jovem executivo, também em viagem, entrou em uma igreja mais tradicional. Chegando em casa, o mesmo diálogo. A esposa pergunta como foi e ele responde que foi tudo quase igual à igreja deles, mas eles cantavam “hinos tradicionais”. “Como assim?”, pergunta a mulher.

“Ah, é um tipo de cântico, um pouquinho diferente”, diz o rapaz.

“Mas, qual a diferença?”

““Bom, é mais ou menos assim: se eles fossem cantar ‘Batatinha quando nasce esparrama pelo chão’, seria um cântico contemporâneo. Agora, se fosse...

1.      Ó, Batata, a lide chama
Pelo chão que esparramais;
Vinde e vede a nós que embala
Com canções angelicais

ESTRIBILHO
Ó, tubérculo precioso, fonte que és de inspiração
Puro infante gracioso, põe a mão no coração

2.       Seja vós de nós dignada
Deste fértil solo aqui
Tu, batata aqui plantada
Alimento produzi!

3.       Que do doce sono embale
O rebento a dormitar.
Que procela alguma abale
Coração a abraçar.

“Aí”, completa o jovem, “já seria um ‘hino tradicional’”!

Adaptado de http://www.apuritansmind.com/the-christian-walk/a-funny-little-story-about-hymns-and-praise-songs-by-author-unknown/

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Festa onde Jesus não entra não tem Graça: lições das Bodas de Caná


E Jesus com seus discípulos foram convidados para um casamento. Lá em Caná da Galileia. Era uma cidade pequena e simples, perto de Cafarnaum. Tinha alguém ali que era amigo do Carpinteiro. E isso nos faz pensar.

1.       Jesus tinha tempo para seus amigos. Havia muitas demandas pressionando o Senhor logo no início do seu ministério. Preparar os discípulos, manifestar a sua glória, percorrer as aldeias da Palestina poeirenta. Fazer milagres, curas e sinais. Mas Jesus conseguiu um espaço para ir com seus discípulos a uma festa de casamento.

2.       Muita gente gostava de ter Jesus por perto. Ele ainda não era famoso. Mal tinha ele começado a se apresentar como o Messias. E você não convida para o seu casamento alguém a quem não conhece e de quem não gosta. Eles o convidaram porque Jesus era alguém com quem realmente gostariam de compartilhar aquele momento especial. A imagem de um Jesus caricaturado, tipo o paranaense ‘Inri Cristo’ cai por terra com esta passagem. Quem chamaria o Inri para a sua festa?

3.       Jesus não fazia diferença entre o “sagrado” e o “secular”. Para ele, a instituição do casamento era uma coisa totalmente sagrada, desde o princípio. Não menos sagrado, no entanto, era a festa que comemorava um casamento. Ele não hesitou em usar as “talhas que os judeus usavam para a purificação” como toneis de vinho. Se ele podia estar lá, se podia festejar alegremente com seus amigos, tudo aquilo era santo.

4.       “Se você não levar os problemas do seu casamento a Jesus, vai acabar levando-os para um advogado” (Pr. Marcelo Ferreira, PIB/Piracicaba). Aqueles noivos estavam começando suas vidas a dois e já tinham um problema sério para resolver. Não era entre eles ainda, mas poderia virar. “Eu sabia que deixar para a sua mãe encomendar a bebida daria nisso; ela sempre com essa mania de economizar...”  Pronto! Já virou discussão. Ao invés disso, levaram o problema a quem poderia resolver. É verdade que foi Maria quem teve a ideia. Uma ideia que salvou o casamento (como algumas vezes acontece com amigos que nos aconselham nos momentos complicados).

5.       Jesus não era um estraga-prazeres. Quem não conhece a Cristo, ainda hoje acha que ele é um chato, que onde chega acaba com a festa. Este evento mostra justamente o contrário. Quando o vinho que alegrava o casamento acabou, ele deu um jeito de fazer a festa continuar. Pra dizer a verdade, festa onde Jesus não entra não tem graça nenhuma. Nem graça nem Graça. 

É isso: se Jesus está por perto, a festa é sempre melhor. Só quem o convida é que sabe.