Dia 3 de março. Faz 10 anos que meu pai, Luiz Soares,
nos deixou. Como o tempo passou depressa! A saudade é uma coisa que não acaba, só
faz aumentar. É impossível nos acostumarmos.
Sentimos muito mais falta dele
hoje do que antes.
Viajando por este querido Brasil, ainda hoje encontro
pessoas que se emocionam ao saber que sou seu filho. Eles contam a influência e
o impacto que a vida dele causou por ele passava. Ouço testemunhos de conversas
encorajadoras, de “broncas” que deram resultado, de mensagens inspiradoras que
ouviram. . De
ligações telefônicas que ele fez a muita gente que passava por momentos de dor ou
confusão. Perdi a conta de quantas pessoas me contaram que se
converteram ao ouvi-lo pregar. Sim, claro: Deus é quem faz a obra e recebe a
glória. Ele foi apenas um instrumento. Mas que instrumento afiado!
O engraçado é que muitos esperavam que eu fosse como ele.
Mas como? O homem compunha, escrevia, falava seis ou sete idiomas, corrigia
teses de mestrado (embora ele mesmo não tivesse ido além do grupo primário),
cantava, pregava ensinando ou evangelizando, era um pastor, conselheiro e
líder. É demais para mim; já me
contentaria em seguir seu exemplo e sua referência de caráter, de homem coerente
com suas ideias e princípios. Como eu disse outra ocasião, você podia até discordar
do que ele pensava, mas sabia exatamente o que ele pensava. Ele não tinha um
discurso adaptável a cada congregação ou público. Eu presenciei ocasiões em que
o tentaram manipular com um talão de cheques. Sua resposta foi tão
desconcertante que deu até dó...
Sei que ele não foi um homem perfeito, como nós todos não
somos. O bom é que não é preciso ser perfeito para ser um modelo digno de ser
imitado. Aqueles que o conheceram bem (não apenas de cima de um púlpito, mas no
dia-a-dia) sabem do que estou falando.
Sei que no paraíso não há choro; não sei se há risadas. Se
houver, quase posso ouvir as gargalhadas do meu pai – sua marca registrada – conversando
com tantos de seus amigos e amigas que já partiram para a eternidade. Imagine a
festa que fazem por lá! Será que vão pedir para eles rirem mais baixo??
Acima de tudo, posso imaginar com que paixão e encanto ele
conversa com o Salvador e Senhor a quem ele amou e serviu tão intensamente.
Nada neste mundo fazia o coração do meu pai bater tão forte quanto conhecer
melhor a Cristo, a quem escreveu versos e canções, livros e mensagens e a
quem dedicou toda sua vida.
Tive o privilégio de ter um grande pai. Louvo a Deus por sua
vida. Como um daqueles que completaram
vitoriosos a carreira da fé, Luiz Soares “depois de morto, ainda fala”.
A Deus toda a glória!


