sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O 80%

Amigos, volta e meia eu lhes conto alguma história de conhecidos meus. São figuras capazes de encher um livro. Vocês já foram apresentados a alguns deles, mas não conheciam ainda o “Baixinho 80%”. Trabalhei lado a lado com ele durante algum tempo. O apelido veio das suas inesquecíveis atuações nas reuniões do departamento. Quando alguém lhe fazia alguma pergunta, a resposta nunca era garantida. Era sempre na base do 80%. O relatório está pronto? 80%, chefe. Os objetivos foram alcançados? Quase, 80%. Você tem certeza desta informação? É, pelo menos 80%. Pegou. O Baixinho 80%. Passaram-se alguns anos, não ouvi mais dele. Se o encontrar na rua ou no supermercado, vou perguntar: “E aí, rapaz, como vão as coisas?” A resposta provavelmente será algo como: “Tá tudo bem, 80% bem”. Impressionante.

Você sabe que ele não está sozinho no mundo. O clube dos 80% é assustadoramente grande. Muita gente acha que 80% são suficientes. Não é preciso ser muito exigente. Nunca vamos conseguir ser 100%, então o que conseguirmos, está ótimo. É aquela filosofia de estudar somente para passar, fazer o serviço mínimo exigido pelo gerente, falar 80% de verdade e 20% de mentira. É a história de ter convicções, sim, mas até certo ponto. 80% de convicção é melhor do que nada, pensam alguns. 100% é exigir demais, sempre precisa se dar uma margem de segurança, um espaço para a dúvida e o questionamento.

É estranho. Você compraria uma barra de chocolate que tivesse sido 20% mordida? Você compraria uma passagem de avião que garantisse 80% do percurso? Você se casaria com uma mulher (se você é um homem) ou com um homem (se você é uma mulher) que lhe fosse 80% fiel? Você ficaria feliz se seu time de futebol liderasse o campeonato em 80% das rodadas e perdesse o título em 20% dos jogos finais? Se a sua resposta foi “não”, você passou no teste. Pode se considerar um ser humano normal. Ninguém se contenta com 80%.

Mas na hora de agirmos, queremos que todos, incluindo Deus, se contente com aquilo que a gente está disposto a oferecer. Vou obedecer meus pais, mas 80%. Esquecemos de que o mandamento é “filhos, obedecei EM TUDO a vossos pais”. Vou amar a Deus, mas 80%. Esquecemos que o mandamento é “amarás o Senhor teu Deus de TODO o teu coração, de TODA  a tua alma, de TODA a tua força e de TODO o teu entendimento. Vou fazer o meu trabalho com dedicação, mas só 80%. Esquecemos de que o mandamento é “TUDO o que vier à mão para fazê-lo, faze-o conforme as tuas forças”.

Não. 80% definitivamente não bastam. Precisamos mais, sob pena de ficarmos rotulados como aquele meu amigo. Ninguém quer alguém que age assim, porque acaba não sendo uma pessoa confiável. Você delega alguma coisa e sempre fica apreensivo, porque sabe que só terá uma parte dos resultados. As pessoas esperam mais de nós.

Deus também espera. E Deus merece mais. Ele não nos deu 80% do que tinha. Seu Filho era o “unigênito”. Não tinha outro. Deus colocou 100% à nossa disposição. Jesus veio e viveu. 100% homem, 100% Deus. Ele morreu. Morreu mesmo. Não foi um “sono”. Foi morte total. Se em algum ponto ficasse 0.5% sem fazer, nós estaríamos em sérias dificuldades.

Pense nisso. Mas pense 100%.

Marcos Soares

2 comentários:

  1. Gostei 100% do texto. Divulgarei.

    ResponderExcluir
  2. Muito útil esta postagem! Vale a pena analisar. Sempre achamos que estamos quites com o Senhor por termos feito algo que já era nosso dever, como irmos ao templo e muitas das vezes só aos Domingos, cantamos, adoramos e algumas outras coisinhas mais. Será que O Senhor aceitará nossas desculpas? Se contentará com e como estamos fazendo sua obra?

    ResponderExcluir

Não publicaremos mais comentários anônimos. Favor se identificar.